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Quando Deixar os Filhos em Casa é a Decisão Mais Sensata da Viagem
Biah Rodrigues, esposa do cantor sertanejo Sorocaba, gerou debate nas redes sociais ao viajar para Paris sem levar os filhos gêmeos. A decisão da influenciadora e mãe de quatro crianças expõe um dilema que vai muito além do universo das celebridades: nem todo destino internacional é adequado para todas as idades, e reconhecer isso pode ser o segredo para experiências mais proveitosas — tanto para os pais quanto para os pequenos.
O casal optou por explorar a capital francesa sem os caçulas, decisão que precisou ser explicada publicamente diante de questionamentos de seguidores. Mas longe de ser uma escolha egoísta, a estratégia reflete uma tendência crescente entre famílias brasileiras: planejar viagens adequadas à composição e idade dos filhos, em vez de forçar roteiros incompatíveis com as necessidades infantis.
Paris Não Foi Feita Para Carrinhos Duplos
A escolha do destino ajuda a entender a decisão. Paris, apesar de todo o seu charme, representa um dos roteiros mais desafiadores para famílias com crianças muito pequenas.
A infraestrutura da cidade, preservada há séculos, não conversa bem com a logística de gêmeos:
- Apenas 9% das 302 estações de metrô possuem acessibilidade completa com elevadores
- Calçadas de paralelepípedos dificultam o deslocamento com carrinhos duplos
- Escadarias íngremes conectam os principais pontos turísticos
- Longas caminhadas entre atrações (muitas vezes 3-4km por dia)
Some-se a isso o fuso horário de 4 a 5 horas de diferença em relação ao Brasil e os voos de 11 a 12 horas de duração. Para gêmeos pequenos, que demandam rotinas sincronizadas e previsíveis, o cenário se torna ainda mais complexo.
A Matemática Cruel de Viajar com Gêmeos
Do ponto de vista prático, viajar internacionalmente com gêmeos multiplica exponencialmente a complexidade logística.
São necessários dois assentos especiais no avião (bassinets, disponíveis apenas para bebês até 10kg), o dobro de equipamentos, documentação duplicada, e a coordenação de necessidades simultâneas durante todo o voo.
Com quatro filhos de idades diferentes, a família ainda enfrenta o desafio adicional de equilibrar as necessidades de cada faixa etária. Enquanto os mais velhos aproveitariam museus e passeios culturais, os gêmeos demandariam estrutura rígida de sonecas, trocas e alimentação.
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O Que Biah Não É a Primeira a Descobrir
A influenciadora se junta a um movimento crescente no mercado turístico: casais com filhos pequenos que buscam momentos de reconexão sem abrir mão da parentalidade responsável.
Dados do setor apontam crescimento de 34% na procura por resorts e experiências “adults-only” entre casais com filhos. A tendência não representa abandono familiar, mas reconhecimento de uma verdade simples: pais descansados e realizados cuidam melhor dos filhos.
Além disso, há uma estratégia inteligente por trás dessa escolha: as viagens progressivas.
Explorando Antes Para Acertar Depois
Muitas famílias adotam a abordagem de conhecer o destino primeiro, avaliando sua viabilidade para futuras viagens com toda a prole.
Na prática, isso significa:
- Identificar hotéis realmente family-friendly (e não apenas os que dizem ser)
- Testar restaurantes que acomodam crianças sem constrangimentos
- Mapear farmácias, hospitais e estrutura de emergência
- Conhecer o tempo real de deslocamento entre atrações
Essa “viagem de reconhecimento” permite que, no futuro, a experiência com as crianças seja muito mais fluida e planejada.
Quando Cada Destino Faz Sentido
A verdade inconveniente do turismo familiar é que nem todo lugar é apropriado para todas as idades. E tudo bem.
Paris, por exemplo, se torna genuinamente aproveitável por crianças a partir dos 5-6 anos, quando conseguem caminhar distâncias maiores, apreciar um croissant numa padaria charmosa, e guardar alguma memória da Torre Eiffel.
Destinos Que Realmente Funcionam com Crianças Pequenas
Para bebês e crianças até 3 anos:
- Resorts all-inclusive no Nordeste brasileiro — estrutura completa, voo curto, sem jet lag
- Praia do Forte (BA) e Porto de Galinhas (PE) — infraestrutura consolidada, piscinas naturais rasas
- Gramado (RS) — clima ameno, programação infantil, deslocamentos curtos
Para primeiras viagens internacionais (3-5 anos):
- Orlando (EUA) — parques preparados para todas as idades, clima de férias
- Punta Cana e Cancún — voos de 7-8h, resorts com kids club, praias calmas
- Portugal — idioma, praias tranquilas, cidades caminháveis
Para destinos culturais europeus (a partir de 6 anos):
- Paris, Londres, Roma — quando as crianças já conseguem andar longas distâncias e apreciar museus
O Custo Real de Levar Todo Mundo
Há também uma questão financeira que não pode ser ignorada.
Para uma família de seis pessoas (dois adultos e quatro crianças) viajar para Paris, o investimento é robusto:
- Passagens aéreas: R$ 35.000 a R$ 60.000 (classe econômica)
- Acomodação: €200 a €400 por noite em apartamentos ou suítes familiares (hotéis padrão não comportam 6 pessoas)
- Equipamentos: Aluguel de carrinhos, cadeirinhas, berços portáteis
- Seguro viagem: Cobertura para seis pessoas, incluindo emergências pediátricas
- Alimentação: Restaurantes parisienses cobram por pessoa, mesmo crianças
Viajar apenas o casal ou com os filhos mais velhos reduz custos entre 40% e 60%, além de aumentar drasticamente a flexibilidade do roteiro.
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O Que Muda em 2026: Oportunidades Para Todas as Famílias
A boa notícia é que o mercado turístico está se adaptando rapidamente a essas novas demandas.
Para 2026, o Brasil terá 12 feriados prolongados, configuração que favorece uma estratégia diferente: múltiplas viagens nacionais curtas em vez de uma grande viagem internacional.
Viagens Frequentes e Curtas: O Novo Padrão
Especialistas identificam uma mudança no padrão de consumo das famílias brasileiras:
Em vez de poupar o ano todo para 15 dias na Europa (muitas vezes estressantes com crianças pequenas), as famílias estão optando por 3-4 viagens nacionais de 4-5 dias.
As vantagens são claras:
- Crianças pequenas lidam melhor com viagens curtas
- Menos impacto na rotina escolar e de sono
- Possibilidade de experimentar diferentes destinos
- Custo-benefício superior
- Flexibilidade para incluir ou não todas as crianças conforme o destino
Serviços Que Estão Surgindo
O setor turístico já responde a essas tendências com ofertas especializadas:
- Agências focadas em “escapes parentais” — planejam viagens curtas para casais com roteiro otimizado
- Resorts com programação noturna kids — liberam os pais para jantares românticos
- Aplicativos de babás certificadas — conectam famílias a cuidadores em destinos turísticos internacionais
- Hotéis com apartamentos multigeracionais — avós podem viajar junto e ajudar nos cuidados
A Transformação Cultural Que Está Acontecendo
O debate gerado pela decisão de Biah Rodrigues expõe uma mudança cultural importante.
Gerações anteriores carregavam a expectativa de que pais se dedicassem exclusivamente aos filhos, adiando indefinidamente viagens e momentos de lazer do casal.
A geração atual busca equilíbrio, reconhecendo que pais que cuidam de si mesmos têm mais energia e presença emocional para cuidar dos filhos.
Múltiplos Formatos, Mesma Família
O futuro aponta para a normalização de diversos formatos de viagem dentro da mesma família:
- Viagens de casal (reconexão e descanso)
- Viagens com todos os filhos (memórias familiares)
- Viagens apenas com os filhos mais velhos (experiências adequadas à idade)
- Viagens multigeracionais (com avós e tios)
Cada formato serve a um propósito diferente, e nenhum é mais válido que o outro.
O Contexto Que Importa
Vale lembrar que Biah Rodrigues já havia feito um desabafo público em agosto de 2024 sobre uma “madrugada difícil” com os quatro filhos. A rotina desafiadora de cuidar de gêmeos pequenos junto com outras crianças é desgastante.
Sorocaba, por sua vez, já havia demonstrado o envolvimento ativo com a chegada dos gêmeos ao comprar o enxoval nos Estados Unidos antes do chá revelação.
Ou seja: não se trata de um casal ausente, mas de pais que reconhecem seus limites e planejam estrategicamente suas experiências.
O Que Outros Pais Podem Aprender
A decisão de viajar sem os filhos menores não precisa vir acompanhada de culpa. Na verdade, pode ser a escolha mais sensata em determinados contextos.
Perguntas que ajudam a decidir:
- As crianças têm idade para aproveitar genuinamente este destino?
- A infraestrutura do local é adequada para a idade deles?
- O investimento financeiro faz sentido considerando o que eles vão experienciar?
- Há rede de apoio confiável para deixá-los (avós, babás de confiança)?
- O casal precisa deste momento de reconexão?
Se as respostas indicarem que a viagem será mais estressante que prazerosa para todos, talvez seja melhor aguardar ou optar por um destino mais adequado.
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Destinos Brasileiros em Alta Para Famílias em 2026
Com os 12 feriados prolongados de 2026, plataformas especializadas já identificam 8 destinos nacionais em alta para viagens familiares:
Esses lugares investiram em infraestrutura family-friendly e oferecem equilíbrio entre conforto para os pais e diversão para as crianças, com voos curtos e preços mais acessíveis que destinos internacionais.
A tendência é que cada vez mais famílias descubram que não é preciso ir longe para criar memórias inesquecíveis — e que algumas viagens internacionais podem, sim, esperar a hora certa.
🧳 Dicas de Bordo: Guia na Mochila
- Planejamento: Antes de reservar uma viagem internacional com crianças pequenas, pesquise a infraestrutura real do destino: existência de elevadores, distâncias entre atrações, disponibilidade de carrinhos de bebê para aluguel e serviços pediátricos de emergência. Sites como TripAdvisor têm filtros específicos para avaliações de famílias.
- Economia: Os 12 feriados prolongados de 2026 são oportunidades perfeitas para viagens nacionais curtas que cabem no orçamento. Três viagens de 4 dias para destinos como Porto de Galinhas, Gramado e Bonito podem custar menos que uma única viagem internacional — e gerar muito mais memórias aproveitáveis para crianças pequenas.
- O Pulo do Gato: Se você decidir viajar sem os filhos pequenos, transforme isso em vantagem futura. Use a viagem para fazer um “dossiê familiar” do destino: fotografe hotéis family-friendly, anote restaurantes com espaço kids, mapeie parquinhos e farmácias. Quando voltar com as crianças em alguns anos, você terá o roteiro perfeito já testado.
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