Flávio Bolsonaro Viaja a Israel em Pré-Campanha: O Que Isso Significa Para o Turismo Brasileiro na Terra Santa
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para Israel em janeiro de 2026, marcando sua primeira viagem internacional no contexto de pré-campanha presidencial. O movimento, custeado com recursos públicos do Senado Federal, acontece antes mesmo da candidatura estar oficialmente sacramentada pelo Partido Liberal e já provoca divisões internas na legenda.
Mas além do tabuleiro político, essa aproximação diplomática acende um farol sobre um fenômeno crescente: o turismo brasileiro em Israel, especialmente o religioso, que movimenta milhões de reais anualmente e coloca a Terra Santa como destino cada vez mais presente no radar dos viajantes nacionais.
Israel no Mapa da Estratégia Política
A escolha de Israel como primeiro destino internacional não é casual. O país ocupa posição única no cenário geopolítico global, sendo simultaneamente uma pequena nação de apenas 22 mil km² e uma potência em tecnologia, defesa e inovação.
Localizado na encruzilhada entre Europa, Ásia e África, Israel é banhado pelo Mar Mediterrâneo e faz fronteira com Líbano, Síria, Jordânia, Egito e territórios palestinos.
Jerusalém, sua capital, carrega um magnetismo sem paralelo: é considerada sagrada pelas três principais religiões monoteístas — judaísmo, cristianismo e islamismo. Já Tel Aviv representa o lado cosmopolita e tecnológico, conhecida mundialmente como a “Start-up Nation”.
O Legado Bolsonarista nas Relações Brasil-Israel
Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), as relações entre Brasil e Israel atingiram um patamar histórico de proximidade. O Brasil rompeu com décadas de neutralidade diplomática na questão israelo-palestina, alinhando-se mais fortemente a Tel Aviv.
Entre os marcos desse período:
- Abertura de escritório comercial brasileiro em Jerusalém
- Aumento de intercâmbio em segurança e defesa
- Fortalecimento de laços econômicos bilaterais
- Aproximação simbólica com a base evangélica brasileira
Essa proximidade teve forte componente ideológico e religioso, apelando aos evangélicos brasileiros — que representam cerca de 30% da população nacional e mantêm conexão profunda com a Terra Santa.
A Polêmica Interna e o Uso de Recursos Públicos
Dentro do Partido Liberal, a viagem de Flávio não é unanimidade. Uma ala do partido defende que o senador deveria priorizar deslocamentos pelo Brasil, conhecendo demandas locais e construindo capilaridade eleitoral em estados e municípios.
A preocupação é clara: viagens internacionais neste momento podem transmitir imagem de desconexão com os problemas domésticos brasileiros.
Outro ponto sensível é o financiamento. A viagem está sendo custeada pelo Senado Federal, o que levanta questões sobre o uso de recursos públicos em atividades de natureza eleitoral, embora missões oficiais de senadores sejam previstas nas prerrogativas parlamentares.
Construindo Estatura de Estadista
Por outro lado, a estratégia de Flávio parece clara: construir credenciais de política externa antes mesmo da oficialização da candidatura. Diferentemente de viagens domésticas focadas em problemas cotidianos, uma visita a Israel permite ao pré-candidato posicionar-se em temas como:
- Segurança internacional e combate ao terrorismo
- Inovação tecnológica e economia digital
- Relações com comunidades religiosas influentes
- Política externa robusta e articulação diplomática
É uma tentativa de construir imagem de estadista precocemente, diferenciando-se de adversários que ainda não deram esse passo.
O Que Isso Muda Para Quem Quer Viajar a Israel?
Movimentos políticos de alto nível entre Brasil e Israel têm impacto direto no turismo. Historicamente, o fortalecimento de relações bilaterais costuma resultar em facilidades concretas para viajantes brasileiros.
Facilidades Diplomáticas e Consulares
Atualmente, brasileiros não precisam de visto para estadias de até 90 dias em Israel. Mas aproximações diplomáticas podem trazer ainda mais benefícios:
- Simplificação de processos consulares para estadias prolongadas
- Aumento de conexões aéreas diretas (hoje inexistentes em linhas regulares)
- Acordos de cooperação que beneficiam turismo religioso e cultural
- Maior segurança jurídica e apoio consular para viajantes brasileiros
Turismo Religioso em Alta
Israel recebe anualmente cerca de 4 milhões de turistas, com o turismo religioso respondendo por grande parte desse fluxo. Brasileiros, especialmente da comunidade evangélica, representam um segmento crescente e altamente rentável.
Sinalizações políticas de aproximação entre os países tendem a:
- Estimular agências especializadas em turismo religioso
- Aumentar a oferta de pacotes para Terra Santa
- Fortalecer a percepção de Israel como destino seguro
- Criar roteiros mais acessíveis e diversificados
O segredo é que, para esse público, Israel não é apenas um destino turístico — é uma peregrinação, uma experiência espiritual transformadora que envolve caminhar por onde Jesus caminhou, visitar o Santo Sepulcro e se banhar no Rio Jordão.
Quanto Custa Realizar Esse Sonho?
Pacotes para Israel variam consideravelmente, mas é possível estabelecer uma média de custos para quem planeja a viagem:
Pacotes completos (7 dias): Entre R$ 8.000 e R$ 15.000 por pessoa, incluindo aéreo, hospedagem, guia e principais passeios.
Passagens aéreas: Como não há voos diretos regulares entre Brasil e Israel, as conexões acontecem via Europa (Lufthansa, Air France, LATAM) ou via Etiópia (Ethiopian Airlines). A distância entre São Paulo e Tel Aviv é de aproximadamente 11.500 km, com tempo de viagem entre 12 e 14 horas.
Alta temporada: Os preços sobem durante a Páscoa cristã, Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) e verão europeu (junho-agosto). Para economizar, considere viajar entre outubro e março, evitando feriados religiosos.
O Que Não Pode Faltar no Roteiro
As principais atrações turísticas de Israel combinam história milenar, espiritualidade e paisagens únicas:
- Jerusalém: Muro das Lamentações, Santo Sepulcro, Monte das Oliveiras, Via Dolorosa
- Tel Aviv: Praias do Mediterrâneo, vida noturna vibrante, mercado Carmel, arquitetura Bauhaus
- Mar Morto: Ponto mais baixo da Terra, experiência única de flutuar em águas hipersalinas
- Massada: Fortaleza histórica no deserto da Judeia, patrimônio mundial da UNESCO
- Nazaré: Cidade onde Jesus cresceu, Basílica da Anunciação
- Haifa: Jardins Bahá’í, vista panorâmica do Mediterrâneo
Segurança: Desmistificando o Destino
Uma das maiores barreiras para brasileiros considerarem Israel como destino é a percepção de insegurança devido aos conflitos regionais. Mas a realidade no terreno é diferente do que muitos imaginam.
Israel investe pesadamente em segurança turística. As áreas visitadas por turistas — Jerusalém, Tel Aviv, Galileia — têm infraestrutura robusta e presença constante de forças de segurança treinadas especificamente para proteger visitantes.
Visitas de alto nível político brasileiro, como a de Flávio Bolsonaro, ajudam a normalizar a percepção do país, transmitindo mensagem de estabilidade e rotina. Afinal, se autoridades brasileiras consideram seguro visitar, por que o turista comum deveria temer?
Dicas Práticas de Segurança
- Registre-se no consulado brasileiro em Tel Aviv antes da viagem
- Contrate seguro viagem com cobertura para Oriente Médio
- Evite áreas próximas às fronteiras com Gaza e Líbano sem orientação
- Siga orientações de guias locais e autoridades
- Mantenha-se informado sobre a situação atual através de fontes confiáveis
O Efeito Cascata no Turismo Regional
Além disso, o Oriente Médio como destino turístico se beneficia de qualquer movimento que normalize relações e reduza percepções de instabilidade.
Viajantes brasileiros interessados em roteiros amplos — que incluem Jordânia (Petra, Wadi Rum), Egito (pirâmides, Luxor) e Israel — se sentem mais confiantes com sinais de engajamento diplomático brasileiro na região.
Agências de turismo já oferecem pacotes combinados que permitem conhecer múltiplos países em uma única viagem, otimizando custos e tempo. A normalização política facilita trânsito entre fronteiras e reduz burocracias.
Intercâmbio Além do Turismo
Aproximações políticas entre Brasil e Israel também abrem portas para outras modalidades de viagem:
Intercâmbio educacional: Israel possui universidades de excelência em áreas como tecnologia, agricultura em regiões áridas e medicina. Programas de intercâmbio tendem a se expandir com relações diplomáticas fortalecidas.
Viagens de negócios: O ecossistema de inovação israelense atrai cada vez mais empreendedores brasileiros. Eventos como a DLD Tel Aviv Innovation Festival e missões empresariais criam oportunidades de networking internacional.
Voluntariado: Programas como kibbutzim (comunidades agrícolas coletivas) e projetos sociais recebem voluntários internacionais, oferecendo experiências imersivas de trabalho e cultura.
🧳 Dicas de Bordo: Guia na Mochila
- Planejamento: Reserve com pelo menos 4 meses de antecedência para garantir melhores preços em passagens e evitar a alta temporada religiosa. Considere contratar guias especializados para Jerusalém — a cidade tem camadas históricas complexas que se revelam melhor com orientação.
- Economia: Viaje entre outubro e março para fugir dos preços altos. Hospede-se em Tel Aviv (mais barato) e faça bate-voltas para Jerusalém. O transporte público em Israel é eficiente e econômico, mas não funciona no Shabat (sexta pôr do sol até sábado à noite).
- O Pulo do Gato: Brasileiros não precisam de visto para Israel, mas prepare-se para entrevista detalhada na imigração. Leve comprovantes de hospedagem, passagem de volta e seja honesto sobre o propósito da viagem. Se for turismo religioso, diga sem medo — é extremamente bem-vindo. E não esqueça: roupas modestas são essenciais para visitar locais sagrados.







