Reaproximação entre Reino Unido e China pode mudar tudo para quem planeja viagem entre os dois países

Resumo: Entenda como a reaproximação diplomática entre Reino Unido e China afeta vistos, voos e preços para sua próxima viagem. Confira!
Redação Guia na Mochila
24/01/2026 20:05
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Atualizado há 1 semana
Mapa ilustrando rotas de viagem Reino Unido China com conexões aéreas entre os dois países e principais destinos turísticos

Sunak Viaja à China em Meio a Tensões com EUA: O Que Muda Para Quem Viaja

O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping durante a última cúpula do G20, em um movimento diplomático que marca uma tentativa de reequilibrar a complexa relação triangular entre Reino Unido, China e Estados Unidos.

O encontro acontece em um momento crítico: enquanto Washington pressiona Londres por uma postura mais dura contra Pequim, o Reino Unido enfrenta a realidade de que a China representa seu sexto maior parceiro comercial, com trocas que ultrapassam £80 bilhões anuais.

Para além da geopolítica, essa reaproximação tem impactos diretos e concretos para milhões de viajantes, estudantes e profissionais que transitam entre as duas nações.

O Jogo de Equilíbrio Diplomático

A relação entre Reino Unido e China vive um dos períodos mais delicados desde a devolução de Hong Kong em 1997. O que já foi chamado de “relação de ouro” durante o governo de David Cameron transformou-se em anos de desconfiança mútua.

O banimento da Huawei das redes 5G britânicas em 2020, as críticas à repressão em Hong Kong e Xinjiang, e a participação britânica na AUKUS — aliança de segurança com Estados Unidos e Austrália — criaram um clima gelado entre Londres e Pequim.

Mas o interesse econômico fala mais alto. O Reino Unido pós-Brexit precisa diversificar parcerias comerciais, e ignorar a segunda maior economia do mundo não é estratégia viável.

Por outro lado, mostrar autonomia em relação a Washington é crucial para o Reino Unido afirmar relevância global própria, especialmente após deixar a União Europeia.

Por Que o G20 Como Palco?

O G20 reúne as maiores economias do planeta — 85% do PIB global, 75% do comércio internacional e dois terços da população mundial. Para líderes como Sunak, o evento oferece algo valioso: encontros bilaterais estratégicos às margens das sessões oficiais.

Esses diálogos “de corredor” frequentemente produzem mais resultados práticos que as declarações formais. Reunir-se em território neutro permite sinalizar abertura sem os compromissos simbólicos de uma visita de Estado completa.

É diplomacia de alto nível com menor risco político doméstico.

O Que Isso Significa Para Quem Viaja?

Reaproximações diplomáticas não são apenas gestos políticos abstratos. Elas destravam processos consulares, facilitam acordos de aviação civil e influenciam diretamente a experiência de milhões de viajantes.

Vistos Mais Rápidos e Acessíveis

Atualmente, britânicos enfrentam espera de 4 a 6 semanas para obter visto chinês. Em contextos de relações tensas, processos se arrastam ainda mais, com exigências de documentação adicional e entrevistas presenciais.

Com degelo diplomático, viajantes podem esperar:

  • Redução significativa nos prazos de processamento
  • Retomada de vistos de múltiplas entradas de longo prazo, suspensos durante a pandemia
  • Abertura de novos centros de aplicação em cidades britânicas além de Londres
  • Simplificação de requisitos para turistas chineses visitando o Reino Unido

Do lado chinês, a facilitação também interessa. Antes da pandemia, 420 mil chineses visitavam o Reino Unido anualmente, cada um gastando em média £2.174 — quase quatro vezes a média geral de turistas.

Voos Diretos e Preços Melhores

Relações diplomáticas estáveis facilitam acordos bilaterais de aviação civil. Isso significa mais slots para companhias aéreas, retomada de rotas suspensas e, principalmente, concorrência aumentada.

Rotas estratégicas como Londres-Pequim e Manchester-Xangai, operadas apenas parcialmente desde 2020, podem voltar à capacidade total. Com mais opções, os preços tendem a cair entre 15% e 25%.

Para viajantes que usam Londres ou Pequim como hubs de conexão — comum em rotas Brasil-Ásia ou Europa-Oceania — a normalização facilita acordos de bagagem despachada e vistos de trânsito.

O Retorno dos Turistas Chineses ao Reino Unido

O setor de turismo britânico aguarda ansiosamente a volta dos visitantes chineses. Não é exagero: turistas da China eram, antes da pandemia, o grupo que mais gastava no país.

Os números impressionam: enquanto a média geral de gastos por turista no Reino Unido era £625, chineses desembolsavam £2.174. Esse dinheiro irrigava desde lojas de luxo na Bond Street até outlets como Bicester Village, hotéis na Lake District e experiências em castelos escoceses.

Grandes marcas britânicas — Burberry, Mulberry, Harrods — dependem estruturalmente do consumidor chinês. A reabertura chinesa pós-COVID-19 é crítica para a recuperação econômica do setor de hospitalidade britânico.

Além do Luxo: Educação e Cultura

Mais de 120 mil estudantes chineses estudam no Reino Unido, representando o maior grupo internacional. As mensalidades geram £2 bilhões anuais para universidades britânicas.

Um clima diplomático positivo incentiva não apenas matrículas, mas também visitas de familiares e participação em programas de intercâmbio cultural do British Council.

Museus como o British Museum e o Victoria & Albert dependem de exposições colaborativas com instituições chinesas. Eventos esportivos também se beneficiam — a Premier League tem mais de 600 milhões de fãs na China.

Viagens de Negócios: O Elo Silencioso

Enquanto turismo de lazer chama atenção, são as viagens corporativas que sustentam boa parte da conectividade aérea entre Londres e principais cidades chinesas.

Mais de 150 mil viagens de negócios acontecem anualmente entre as duas nações. O setor financeiro é particularmente ativo: a City de Londres e o distrito de Lujiazui em Xangai mantêm relação simbiótica crucial para fluxos de capital global.

Acordos diplomáticos destravando investimentos paralisados significam mais executivos cruzando o globo, mais demanda por voos diretos e mais infraestrutura hoteleira de alto padrão.

Cautelas Que Permanecem

Por outro lado, mesmo com clima diplomático melhorando, viajantes britânicos na China — e vice-versa — devem manter cautelas sensatas.

O Foreign Office britânico mantém alertas sobre riscos de detenção arbitrária por “razões de segurança nacional”, especialmente para quem trabalha em setores sensíveis ou mantém presença ativa em redes sociais.

Recomendações práticas incluem:

  • Evitar discussões políticas sobre Hong Kong, Taiwan ou Xinjiang
  • Não fotografar instalações militares ou governamentais
  • Jornalistas devem obter credenciamento apropriado antes de atividades profissionais
  • Manter contato regular com familiares e informar itinerários detalhados

Essas precauções não devem desencorajar viagens, mas garantir que sejam feitas com consciência do contexto local.

A Visão Histórica: Ciclos de Aproximação e Distanciamento

A relação sino-britânica passou por fases bem distintas nas últimas décadas, e entender esse padrão ajuda a contextualizar o momento atual.

Era Cameron (2010-2016): “Idade de Ouro” com investimentos chineses massivos em infraestrutura, setor nuclear e imobiliário britânico.

Era May (2016-2019): Resfriamento gradual, com revisão de investimentos chineses por razões de segurança nacional.

Era Johnson (2019-2022): Confronto aberto, marcado pelo banimento da Huawei, críticas públicas sobre Hong Kong e criação da AUKUS.

Era Sunak (2022-presente): Pragmatismo cauteloso, buscando equilíbrio entre valores democráticos e interesses econômicos concretos.

Cada ciclo afetou diretamente o setor de viagens, com períodos de facilitação seguidos de endurecimento burocrático.

O Impacto na Indústria Global de Turismo

Reino Unido e China não são apenas dois países negociando entre si. São hubs globais cruciais que conectam continentes inteiros.

Londres é o aeroporto de conexão mais usado para voos entre Américas e Ásia. Pequim e Xangai desempenham papel similar conectando Europa e Oceania. Quando relações entre esses dois nós se complicam, toda a rede sofre.

Viajantes brasileiros fazendo São Paulo-Londres-Pequim, ou australianos em rotas Sydney-Xangai-Londres, dependem de acordos bilaterais funcionando suavemente para bagagem despachada, vistos de trânsito e tempos de conexão razoáveis.

A normalização das relações sino-britânicas, portanto, tem efeito cascata positivo para o turismo global.

O Futuro das Relações e Suas Implicações

Nenhum analista sério espera retorno à “Idade de Ouro” cameroniana. As divergências sobre direitos humanos, segurança tecnológica e alinhamentos geopolíticos são estruturais demais.

O que se busca é um pragmatismo funcional: manter canais diplomáticos abertos, facilitar comércio e turismo, cooperar em questões globais como mudanças climáticas, mas sem ilusões sobre convergências profundas.

Para o setor de turismo, isso é suficiente. Percepção de segurança, facilitação consular e conectividade aérea não exigem amor eterno entre nações — apenas profissionalismo diplomático básico.

A reunião entre Sunak e Xi Jinping sinaliza exatamente isso: disposição para administrar diferenças de forma madura, priorizando interesses mútuos concretos.

🧳 Dicas de Bordo: Guia na Mochila

  • Planejamento: Se está planejando viagem à China ou ao Reino Unido, acompanhe os canais oficiais dos consulados para anúncios de facilitações de visto. Processos tendem a agilizar em períodos de reaproximação diplomática, mas podem levar semanas para serem implementados. Inicie solicitações com antecedência mínima de 8 semanas.
  • Economia: Fique atento a anúncios de retomada de rotas aéreas diretas entre as duas nações. Companhias costumam lançar promoções agressivas nos primeiros meses de operação para preencher assentos. Configurar alertas de preços para rotas Londres-Pequim e Londres-Xangai pode render economia de 20% a 40%.
  • O Pulo do Gato: Turistas chineses no Reino Unido e britânicos na China frequentemente subestimam diferenças culturais em pagamentos. No Reino Unido, cartões contactless são universais; na China, Alipay e WeChat Pay dominam. Prepare-se digitalmente antes de embarcar: britânicos devem configurar VPN para acessar serviços bloqueados na China, e chineses podem se beneficiar de apps com suporte a mandarim em Londres como o Citymapper.
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