Manaus conquista 9ª posição entre destinos tendência globais para 2026 e se torna vitrine da Amazônia para o mundo
A capital amazonense acaba de ganhar um dos reconhecimentos mais cobiçados do turismo mundial. Em pesquisa divulgada pela Booking.com, uma das maiores plataformas de reservas online do planeta, Manaus conquistou a 9ª posição no ranking de destinos tendência para 2026 — e é a única cidade brasileira a figurar na lista.
O levantamento, baseado em dados de buscas e reservas da plataforma, analisou o comportamento de viajantes de todo o mundo e identificou um movimento claro: o crescimento do interesse por destinos de natureza, turismo sustentável e experiências autênticas. E Manaus entrega exatamente isso.
Para além dos números, o reconhecimento revela uma mudança profunda nas prioridades globais de viagem. Em tempos de emergência climática e desconexão urbana, a Amazônia deixou de ser um destino exótico distante para se tornar símbolo de preservação, biodiversidade e turismo consciente.
O que levou Manaus ao topo das buscas mundiais
Ao longo de 2024 e início de 2025, a plataforma registrou aumento significativo nas buscas por “Manaus”, especialmente de mercados europeus e norte-americanos. Não é difícil entender o porquê.
Localizada na confluência dos rios Negro e Solimões, no coração da maior floresta tropical do mundo, Manaus oferece algo que poucos destinos conseguem: a combinação entre uma metrópole moderna de 2,2 milhões de habitantes e acesso privilegiado à natureza selvagem.
A floresta amazônica abriga cerca de 10% de todas as espécies do planeta, produz aproximadamente 20% do oxigênio mundial e seu sistema fluvial contém 20% da água doce disponível no mundo. Estar em Manaus é estar no epicentro de tudo isso.
Experiências que o viajante só encontra aqui
O que torna Manaus única vai muito além da floresta. A cidade oferece vivências impossíveis de replicar:
- Encontro das Águas: fenômeno natural onde os rios Negro e Solimões correm lado a lado por 6 km sem se misturarem, criando um espetáculo visual impressionante devido às diferenças de temperatura, velocidade e densidade das águas
- Imersão cultural: convivência autêntica com comunidades ribeirinhas e indígenas, preservando tradições milenares
- Observação de fauna: botos-cor-de-rosa, jacarés, preguiças, macacos e centenas de espécies de aves em habitat natural
- Navegação pelos igarapés: exploração de canais estreitos cercados pela floresta fechada
- Vivências práticas: pesca de piranha, caminhadas na selva, pernoite em lodges flutuantes
O contraste que encanta: da Belle Époque à floresta primária
Poucos sabem, mas Manaus já foi uma das cidades mais ricas do mundo. Durante o Ciclo da Borracha (1879-1912), a capital amazônica nadou em ouro — literalmente.
Foi a primeira cidade brasileira a ter iluminação pública elétrica, bondes elétricos e um dos primeiros sistemas de telefonia do país. Desse período áureo, herdou joias arquitetônicas que hoje funcionam como pontos de partida obrigatórios para qualquer roteiro.
Teatro Amazonas: o símbolo maior
Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas é um suntuoso teatro de ópera em estilo renascentista que parece ter sido transportado de Paris para o meio da selva. Suas cúpulas cobertas com 36 mil peças de cerâmica esmaltada nas cores da bandeira brasileira são visíveis de vários pontos da cidade.
Por dentro, o luxo continua: lustres de cristal veneziano, colunas de ferro fundido trazidas da Inglaterra, cadeiras francesas, mármore italiano. Tudo importado durante a época em que a borracha valia mais que ouro.
E o mais fascinante: a poucos quilômetros desse palácio europeu, começa a floresta primária, intocada há milhares de anos. Esse contraste é Manaus em sua essência.
Autoridades celebram e projetam crescimento
A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas classificou o reconhecimento como “um marco histórico para o turismo amazonense” e “validação dos esforços de promoção turística” realizados nos últimos anos.
A Agência Amazonas, por sua vez, enfatizou o papel da biodiversidade amazônica como principal ativo. “O visitante não vem apenas conhecer a floresta, mas vivenciar a cultura amazônica de forma responsável”, destacaram representantes do órgão.
A Prefeitura de Manaus ressaltou investimentos recentes em infraestrutura turística e capacitação de profissionais do setor, fruto de trabalho integrado entre governo estadual, municipal e iniciativa privada.
O que esperar para os próximos anos
Autoridades projetam crescimento expressivo no número de visitantes internacionais. O setor hoteleiro já prevê necessidade de ampliar a capacidade de hospedagem para atender à demanda crescente.
Além disso, espera-se aceleração em investimentos estruturais:
- Ampliação da rede hoteleira com padrões internacionais
- Profissionalização de serviços turísticos (guias multilíngues, agências especializadas)
- Melhorias na sinalização turística em múltiplos idiomas
- Desenvolvimento de novos roteiros e experiências
- Aprimoramento da conectividade aérea
Janela de oportunidade: visite antes da massificação
Há um momento privilegiado no ciclo de vida de qualquer destino turístico: quando ele ganha visibilidade internacional, mas ainda não foi massificado. Manaus está exatamente nesse ponto.
Viajantes que conhecerem a cidade nos próximos um ou dois anos terão vantagens consideráveis: experiências mais autênticas, preços ainda não inflacionados pela demanda internacional e infraestrutura já qualificada sem a saturação que costuma acompanhar reconhecimentos globais.
O que muda nos preços
Curto prazo (2025-2026): Oportunidade real de encontrar valores ainda não pressionados pela procura internacional. Hospedagem, passeios e experiências mantêm preços praticados atualmente.
Médio prazo (2027-2028): Provável aumento em hospedagem, passeios privativos e experiências premium, seguindo padrão observado em outros destinos que passaram por reconhecimentos similares.
A recomendação para viajantes interessados é clara: considerar antecipar a visita para maximizar o custo-benefício e vivenciar Manaus em sua versão mais autêntica.
Planeje considerando os ciclos da Amazônia
Diferentemente de destinos urbanos convencionais, Manaus exige planejamento alinhado aos ritmos naturais da floresta. A experiência muda completamente conforme a época do ano.
Época das Cheias (dezembro a junho)
Os rios sobem e transformam a paisagem. Essa é a temporada para:
- Navegação facilitada pelos igarapés
- Acesso a áreas de floresta inundada (igapós)
- Melhor observação de fauna aquática
- Passeios de canoa entre as copas das árvores que ficam parcialmente submersas
Época das Secas (julho a novembro)
Os rios baixam e revelam outro cenário. Período ideal para:
- Praias fluviais de areia branca
- Caminhadas na floresta (trilhas menos alagadas)
- Melhor observação de aves
- Pesca esportiva em condições favoráveis
Não existe época “melhor” ou “pior” — apenas diferentes. A escolha depende do tipo de experiência que você busca.
Preparação necessária para aproveitar ao máximo
Manaus não é destino para turismo passivo. A Amazônia exige preparação, respeito e disposição para sair da zona de conforto.
Aspectos práticos obrigatórios
Saúde: Vacina contra febre amarela é obrigatória (deve ser tomada no mínimo 10 dias antes da viagem). Protetor solar e repelente potente são essenciais.
Equipamentos: Roupas leves de secagem rápida, calçados fechados apropriados para trilhas, capa de chuva, lanterna de cabeça, mochila impermeável.
Condicionamento físico: Não é necessário ser atleta, mas algumas atividades (caminhadas, remadas) exigem disposição mínima.
Abertura cultural: As experiências mais ricas envolvem convivência com comunidades tradicionais. Respeito, curiosidade genuína e abertura para o diferente são fundamentais.
Turismo como ferramenta de preservação
Com o aumento do fluxo turístico, cresce também a responsabilidade individual de cada viajante. A boa notícia é que Manaus prioriza modelos de turismo sustentável.
Segundo autoridades locais, “o turismo em Manaus prioriza a sustentabilidade e a preservação ambiental, oferecendo experiências que respeitam a floresta e as comunidades locais”.
Como ser um viajante responsável em Manaus
- Escolha operadoras certificadas: Prefira agências com certificações de sustentabilidade e compromisso com comunidades locais
- Respeite protocolos de visitação: Áreas protegidas têm regras específicas — siga-as à risca
- Valorize o comércio local: Compre artesanato diretamente de artesãos, contrate guias locais, consuma em restaurantes regionais
- Minimize impacto ambiental: Evite plásticos descartáveis, não alimente animais selvagens, leve todo o lixo de volta
- Entenda seu papel: A Amazônia não é um “safari fotográfico”, mas um ecossistema delicado que exige cuidado
Infraestrutura e acesso: como chegar e se locomover
O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes recebeu investimentos significativos nos últimos anos e hoje opera voos diretos para as principais capitais brasileiras, além de conexões internacionais via hubs como Panamá e Miami.
A criação da Zona Franca de Manaus em 1967 transformou a cidade em importante polo industrial e comercial da região Norte, garantindo desenvolvimento econômico que sustenta infraestrutura urbana superior à de outras cidades amazônicas.
Comparativo regional
Comparada a outras portas de entrada amazônicas (como Iquitos no Peru ou Leticia na Colômbia), Manaus oferece vantagens competitivas:
- Maior cidade amazônica com infraestrutura urbana completa
- Aeroporto internacional de grande porte
- Combinação única de patrimônio histórico-cultural com acesso à floresta primária
- Indústria turística desenvolvida com opções para todos os orçamentos
- Relativa estabilidade política e segurança superior
O momento estratégico para conhecer a capital amazônica
O reconhecimento da Booking.com não é acidental. Reflete convergência de múltiplos fatores: mudança nas prioridades dos viajantes globais, momento crítico da consciência ambiental planetária e atributos únicos que apenas Manaus reúne.
Para o viajante informado, representa oportunidade excepcional de vivenciar a Amazônia antes da potencial massificação, enquanto contribui para um modelo de turismo que pode ser aliado da preservação.
O timing é perfeito: nem tão cedo que a infraestrutura seja precária, nem tão tarde que a autenticidade se perca. Manaus está pronta para receber o mundo — e o mundo, finalmente, descobriu Manaus.
🧳 Dicas de Bordo: Guia na Mochila
- Planejamento: Reserve no mínimo 5 dias para combinar experiências urbanas (Teatro Amazonas, Mercado Municipal) com imersões na floresta. Lodges ficam a 1-3 horas de barco do centro, então calcule tempo de deslocamento nos roteiros.
- Economia: Viaje entre março e junho ou setembro e novembro para fugir da altíssima temporada e encontrar melhores preços. Feche pacotes de passeios diretamente com operadoras locais — intermediários encarecem consideravelmente. Considere hospedagens fora da zona turística central para economizar até 40%.
- O Pulo do Gato: Experimente o tacacá e o tambaqui na Feira da Banana ou no Mercado Municipal pela manhã — a autenticidade gastronômica está nas barracas frequentadas por moradores, não nos restaurantes turísticos. E não saia de Manaus sem provar o açaí amazônico original: sem guaraná, sem xarope, apenas a polpa pura com farinha de tapioca ou peixe frito. É completamente diferente da versão açucarada que você conhece.







